
Uma alimentação equilibrada e variada é importante em todas as fases da vida, mas na terceira idade ela torna-se ainda mais determinante.
O envelhecimento provoca várias mudanças no organismo, e uma delas é a forma como o corpo absorve e processa os nutrientes. O que funcionava aos 50 pode já não ser suficiente aos 75.
Se está a cuidar de um familiar idoso, é fundamental entender estas mudanças, para conseguir reconhecer sinais e garantir o bem-estar do seu familiar.
Envelhecimento: o que muda no organismo?
O envelhecimento é um processo que provoca alterações físicas, metabólicas e psicológicas com impacto direto na nutrição. Entre as mais relevantes estão:
Menos apetite
Com a idade, a sensação de fome tende a reduzir, seja por razões fisiológicas, mas também por fatores como a solidão, dificuldades de mobilidade ou simplesmente por já não haver prazer em cozinhar.
Alterações no paladar e no olfato
A capacidade de sentir sabores e cheiros diminui com a idade, o que pode tornar este processo menos prazeroso e levar a uma redução da fome.
Dificuldades de mastigação e deglutição
Problemas dentários, uso de próteses mal adaptadas ou dificuldades de deglutição são comuns nesta fase da vida e afetam a forma como o idoso se alimenta.
Menor absorção de nutrientes
O sistema digestivo torna-se menos eficiente, o que pode comprometer a absorção de nutrientes, mesmo com uma alimentação equilibrada.
Menos sede
Esta é uma mudança muito comum na população idosa. A desidratação pode causar confusão mental, tonturas e agravar outras condições de saúde.
Polimedicação
Muitos idosos tomam vários medicamentos em simultâneo, e alguns podem interferir na absorção de nutrientes ou reduzir o apetite como efeito secundário.
Sinais de alerta a que deve estar atento
A desnutrição nos idosos pode ser confundida com sinais normais de envelhecimento, sendo muitas vezes subdiagnosticada. Destacamos alguns sinais que merecem atenção:
Perda de peso não intencional
Fraqueza muscular progressiva
Cansaço excessivo sem causa aparente
Feridas que demoram a cicatrizar
Confusão mental ou dificuldade de concentração
Perda de interesse pela comida ou pelas refeições
Se observar estes sinais num familiar, vale a pena consultar o médico de família, que pode referenciar para uma avaliação nutricional.
Como adaptar a alimentação na prática?
Garantir pelo menos cinco refeições diárias
Devem existir pelo menos três refeições principais e dois lanches (um de manhã e outro à tarde). Não é recomendado que o idoso esteja mais de 3h30 sem comer (além do período noturno, que não deve ultrapassar as 8h).
Adaptar a textura quando necessário
Se existirem dificuldades de mastigação ou deglutição, os alimentos podem ser preparados em versões mais moles, em puré ou em sopas nutritivas. No entanto, sempre que possível, é importante que sejam mastigados alimentos sólidos, uma vez que esta mastigação estimula a atividade do hipocampo cerebral, promovendo a manutenção das funções de memória e aprendizagem.
Tornar as refeições um momento de convívio
Comer sozinho é um dos fatores que mais contribui para a redução do apetite nos idosos. Sempre que possível, partilhar a refeição, ou garantir que existe companhia, faz diferença na quantidade ingerida e no bem-estar geral.
Garantir hidratação regular mesmo sem sede
Oferecer água, chás, sopas e sumos naturais ao longo do dia, mesmo quando o idoso não tem sede. A hidratação adequada é essencial e muitas vezes negligenciada. A quantidade recomendada é de 8 copos de água por dia.
Reduzir sal e açúcar
Reduzir o sal ajuda a controlar a tensão arterial, frequentemente elevada nesta faixa etária. Ervas aromáticas e especiarias podem ajudar a reduzir o consumo de sal sem retirar sabor às refeições. Limitar o açúcar é igualmente importante na prevenção e gestão da diabetes.
Priorizar alimentos frescos e naturais
Frutas, legumes, leguminosas, peixe e cereais integrais devem ser a base da alimentação. Os alimentos processados, ricos em sódio e gorduras saturadas, devem ser consumidos com moderação. Apesar de as necessidades nutricionais mudarem ao longo dos anos, devem continuar a ser consumidos alimentos de todos os grupos da roda dos alimentos.
Reforçar a ingestão de cálcio
A ingestão de cálcio tem um papel fundamental na prevenção e atraso da progressão da osteoporose, debilidade e dores articulares e prevenção de outras doenças como o cancro, doenças cardiovasculares e diabetes.
Quando consultar um nutricionista?
Cada pessoa é diferente, e as necessidades alimentares de um idoso com diabetes são diferentes das de um idoso com dificuldades de deglutição ou com doença renal. Um nutricionista pode avaliar a situação específica, identificar deficiências e propor um plano alimentar adaptado.
Uma nota sobre o apoio no dia a dia
Garantir uma alimentação adequada a um familiar idoso exige tempo, atenção e, muitas vezes, presença. Quando isso não é possível a tempo inteiro, seja por razões profissionais, de distância ou de sobrecarga, os serviços de apoio domiciliário podem incluir a preparação e fornecimento de refeições como parte do cuidado diário.
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