
Há conversas que as famílias adiam durante meses ou anos, e falar sobre a necessidade de apoio de um familiar idoso é uma delas. A autonomia do familiar, a dinâmica da própria família e todas as emoções em jogo são alguns pontos que contribuem para o adiamento.
Se está a passar por isto, este artigo pode ajudar a preparar esse momento.
Porque é que falar sobre apoio a idosos é tão difícil?
Existem várias dimensões:
Para o familiar idoso, aceitar apoio pode significar reconhecer uma perda, seja de autonomia, independência ou controlo sobre a sua vida. Por isso, é perfeitamente natural que exista resistência. Além disso, para muitas pessoas desta geração, pedir ajuda ainda é considerado sinal de fraqueza.
Para os filhos ou cuidadores, a conversa pode ativar sentimentos de culpa, tristeza e, por vezes, conflito interno. Falar sobre esta necessidade é também reconhecer que algo mudou, e já não vai voltar ao que era.
Tudo isto é natural e muitas famílias sentem receio ou dúvidas neste momento.
Antes de falar: prepare-se
Uma conversa difícil raramente corre bem quando acontece de forma impulsiva, por exemplo, depois de um incidente, numa altura de tensão, ou quando a urgência já é grande.
Antes de iniciar o diálogo, vale a pena refletir sobre algumas questões:
Que nível de apoio vai ser necessário?
Falamos de um apoio domiciliário pontual ou de algo mais permanente? Quanto mais claro isto estiver, mais fácil será.
Qual é o momento certo em que a conversa deve acontecer?
Evite alturas de cansaço, stress ou conflito recente. O ideal é escolher um momento tranquilo, numa rotina familiar, sem pressões.
Vai estar sozinho ou com outros familiares?
Pode ser útil envolver irmãos ou outros elementos da família, desde que se alinhem antes da conversa.
Como começar a conversa com um familiar idoso
Não existe um guião perfeito ou a garantia de que, se disser esta ou aquela frase, vai correr tudo bem. No entanto, existem algumas estratégias que podem ajudar a tirar peso deste momento:
Antes de propor soluções, ouça
Pergunte como a pessoa está a sentir-se, se há algo que a preocupa ou se existe algo no dia a dia que está a tornar-se mais difícil. Muitas vezes, a própria pessoa tem consciência das limitações antes de as admitir em voz alta, e dar-lhe espaço para falar disso é mais eficaz do que chegar com uma decisão tomada.
Fale na primeira pessoa
Dizer "Tenho estado preocupado contigo" gera muito menos resistência do que "já não consegues fazer isto sozinho". A diferença entre uma observação que parte do seu estado emocional e uma afirmação sobre as capacidades do outro pode ser determinante.
Apresente o apoio como uma escolha, não como uma imposição
"Gostava de perceber contigo o que poderia ajudar" é muito diferente de "precisamos de arranjar uma solução". A sensação de controlo é fundamental para quem sente que a está a perder.
Evite comparações
"A mãe da minha vizinha já foi para um lar há dois anos" raramente ajuda. Cada situação é única, e a comparação pode fazer a pessoa sentir-se pressionada ou julgada.
E quando existe resistência?
A resistência é quase sempre parte do processo, e isso não signifca que a conversa falhou, mas que pode ser necessário algum tempo para refletir e integrar todas as informações.
Se o familiar recusar falar ou rejeitar qualquer sugestão, não insista, dê-lhe espaço, mas não abandone o tema. Uma segunda ou terceira conversa, noutros momentos, pode ter um bom resultado.
Em alguns casos, a resistência diminui quando a proposta é enquadrada de forma diferente: não
como "precisas de ajuda" mas como "isto pode facilitar o teu dia a dia e aumentar a tua segurança".
Quando o diálogo é genuinamente impossível
Há situações em que o estado cognitivo do familiar não permite um diálogo pleno e informado. Nestes casos, a decisão passa a ser da família, e isso traz consigo um peso diferente.
Se estiver nesta situação, procure apoio: de outros familiares, de profissionais de saúde ou de serviços especializados em cuidado de idosos. Existem vários pontos a considerar e não tem de tomar estas decisões sozinho.
O próximo passo
Falar sobre apoio é o primeiro passo, o segundo é organizá-lo, e um serviço de apoio sénior pode ajudar a simplificar este processo. Descreva a situação uma única vez e receba propostas de parceiros que vão ao encontro do que pretende, sem ruído, pressão e sem ter de gerir uma lista de contactos.
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